É Preciso Amar!
_“Naquele tempo, 38 Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39 Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra. 40 Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: "Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!" 41 O Senhor, porém, lhe respondeu: "Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. 42 Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada"_.
_— Palavra da Salvação._
Lucas 10, 38-42
Jesus na Casa de Marta e Maria, Johannes Vermeer, óleo sobre tela, 1664/66, Galeria Nacional da Escócia .
É PRECISO AMAR.
Marta e Maria são mulheres piedosas e justas. Juntas cuidam da casa e de seus afazeres.
Porém, ante a visita de Jesus, elas nos apresentam duas formas diferentes de amar a Deus: o servir e o amar.
Nos planos de Deus, somos fruto do seu infinito amor, criados para amá-lo e por Ele, ser amados. É o caminho natural do amor; a correspondência; a retribuição; a mutualidade; a reciprocidade; a correlação; a troca.
Deus, amoroso e justo, não “castigou” Adão, lançando-o fora do seu paraíso, como punição ou vingança! Mas como necessária etapa de educação.
O amor é humano, mas não é um sentimento! Não se contém em si mesmo, ou reage a estímulos.
Em sua etimologia, sentimento é correntemente confundido como sinônimo de perceber e pensar. Mas como perceber e pensar podem representar uma mesma coisa, se são, na verdade, complementaridades?
Sentir é perceber o ser das coisas através de nossas capacidades físicas. Pensar é conhecer nossas sensações ou percepções, mas também construir afeições, rejeições e entendimentos do que é percebido, e do que é intuído muito além da percepção. Atribuir ao corpo a primazia da compreensão do ser é desprezar a porção mística da nossa criação: a alma!
Fomos criados no amor, pelo amor e para o amor, por Deus que é o amor infinito! À sua imagem e semelhança.
Para isso começamos nossa existência sempiterna no plano da carne, para vivendo esse amor, aprendermos a amar. Nossos sentimentos ou percepções auxiliam esse aprendizado, mas precisam para esse mister ser ordenados e igualmente educados.
Corpo e alma. Sentir e compreender!
A nossa humanidade não deriva dos sentidos, mas da compreensão de nossa dupla natureza. A física e a mística! Nosso tato é tão importante para o nosso processo de apreensão da realidade quanto o dom do Entendimento. Nossa visão alimenta o castelo do dom da Sabedoria. E assim também nossa audição, olfato, paladar, e mesmo a dor, reflexo tátil da carne, encontra acolhimento no dom da Piedade.
Por vezes somos instados a “materializar” nossa alma. “Carnalizar” nosso espírito. Uma tolice demoníaca da vaidade.
_”Fora de Deus, tudo é vaidade.”_
Marta se entrega sem maiores reflexões, a servir às necessidades e aos cuidados para com Jesus. Maria, assistida pelo dom do Conselho, enxerga na visitação do Senhor o bem maior da sua salvação.
Quantas e tantas oportunidades perdemos pela vaidade de escolhermos está ou aquela forma de “melhor” servir a Deus!
Envergamos orgulhosos as distintivas vestes dessa ou daquela confraria, sociedade, grupo ou pastoral. Trocamos de lugar cadeiras e turíbulos, missais e sanguíneos, ventiladores e crucifixos, sem nos darmos conta de que estamos diante do milagre, do mistério, do caminho da salvação. Nós assistimos enfadados a Santa Missa celebrando o reencontro, trocando abraços, ósculos e sorrisos, fazemos ofertas, mas perdemos o diálogo com Deus, a solidária e grata presença ativa no mistério do memorial do Cristo.
Cristo visitou Marta e Maria, não para comer pães ou beber vinhos, mas para oferecê-las as bençãos e as graças do seu amor infinito e salvador. Na sua humildade Maria sorveu cada palavra, cada gota de amor e graça.
Jesus abençoou as duas! Mas qual fez melhor proveito desse privilégio? Pense nisso, na próxima missa.
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